quarta-feira, 17 de abril de 2013

DIAS NUBLADOS


dias nublados são quietos
posso ouvi-los respirar, sentir o arfar de seus pulmões
trazem em si uma esponja encharcada
são lágrimas que se esconderam, tímidas e retraídas,
são dores e mágoas que se acumularam silenciosas, medrosas em se pronunciarem,
são cânticos e sorrisos que se ocultaram entre as plumas níveas de outras nuvens

dias nublados são quietos
quase mudos, se não fosse o resmungar dos trovões
anunciando chuva
lágrimas do céu que inundam a terra
que faz germinar o broto e reverdejar os campos
que nutre os rios
e lava a alma

nossas lágrimas mudas que fertilizam o solo da alma
no silêncio escuro do quarto
no soluço...

no soluço que se esconde no travesseiro...

dias nublados são quietos
como se contivessem a própria respiração
e o silêncio pairasse sobre tudo

momentos que antecederam a criação

e as chuvas torrenciais vieram
lamberam a terra
intimidaram os vulcões
extraíram o broto da semente latente
que nem existia

dias nublados em cores de chumbo
nos fazem recolher, buscar abrigo, aquietar-se,
são calados e sábios, quietos

a natureza se detém em seu ciclo
um intervalo
um vácuo
dias nublados são quietos

2 comentários:

  1. Contemplando

    Em cada pôr do sol,
    O arroubo!

    Em cada aroma,
    O enlevo!

    Em cada cor,
    O êxtase!

    Em cada estrada;
    O fascínio!

    Em cada história,
    O enredo!


    Filomena Gomes Camacho.

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  2. Palavras.

    Escrevo o silêncio pautado de ausência.
    A cor transparente onde mora o cansaço.
    A linha do tempo onde finda a saudade.

    Filomena Gomes Camacho

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