dias nublados são quietos
posso ouvi-los respirar, sentir o arfar de seus pulmões
trazem em si uma esponja encharcada
são lágrimas que se esconderam, tímidas e retraídas,
são dores e mágoas que se acumularam silenciosas, medrosas
em se pronunciarem,
são cânticos e sorrisos que se ocultaram entre as plumas
níveas de outras nuvens
dias nublados são quietos
quase mudos, se não fosse o resmungar dos trovões
anunciando chuva
lágrimas do céu que inundam a terra
que faz germinar o broto e reverdejar os campos
que nutre os rios
e lava a alma
nossas lágrimas mudas que fertilizam o solo da alma
no silêncio escuro do quarto
no soluço...
no soluço que se esconde no travesseiro...
dias nublados são quietos
como se contivessem a própria respiração
e o silêncio pairasse sobre tudo
momentos que antecederam a criação
e as chuvas torrenciais vieram
lamberam a terra
intimidaram os vulcões
extraíram o broto da semente latente
que nem existia
dias nublados em cores de chumbo
nos fazem recolher, buscar abrigo, aquietar-se,
são calados e sábios, quietos
a natureza se detém em seu ciclo
um intervalo
um vácuo
dias nublados são quietos
Contemplando
ResponderExcluirEm cada pôr do sol,
O arroubo!
Em cada aroma,
O enlevo!
Em cada cor,
O êxtase!
Em cada estrada;
O fascínio!
Em cada história,
O enredo!
Filomena Gomes Camacho.
Palavras.
ResponderExcluirEscrevo o silêncio pautado de ausência.
A cor transparente onde mora o cansaço.
A linha do tempo onde finda a saudade.
Filomena Gomes Camacho