domingo, 14 de abril de 2013

Máscara, de Dante Milano


Rio de Janeiro, 16 de junho de 1899/ Petrópolis, 15 de abril de 1991

Passa o tempo da face
E o prazer de mostrá-la.
Vem o tempo do só,
A rua do desgosto,
O trilho interminável
Numa estrada sem casas.
O final do espetáculo,
A sala abandonada,
O palco desmantelado.

Do que foi uma face

Resta apenas a máscara,

O retrato, a verônica,

O fantasma do espelho,

O espantalho barbeado,

A face deslavada,
Mais sulcada, mais suja,
De beijada, cuspida,
Amarrotada
Como um jornal velho.
Máscara desbotada
De carnavais passados.
Esta é a nossa cara
Escaveirada.


Até que a terra

Com sua garra

Nos rasgue a máscara.



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