foto: Geraldo Gabriel Bossini
a
arte recorta e reedita o cotidiano
no
território da inspiração o pincel desliza
a
alma dança em sinfonias intocadas e sublimes
a
vida se tinge num olhar cigano
os delicados pés desfilam compassados
na arte de sentir o que nem sempre tem sentido
minhas
mãos se agitam e tecem letras
tecelão
da imaginação tricoteio palavras
eclode
a poesia, brota a prosa, a alma delira
viajo
em terras desconhecidas e vivo amores
enalteço
a vida e celebro a morte e os rancores
na arte de se ouvir o que não se ouve
por
vezes sou criança, velho, jovem, uma dama
na
eterna arte tudo é transitório e no caos se inflama
ora
Calíope, ora Virgem de Guadalupe, Deusa Mãe
em
mim arde a chama que tudo consome e nada protela
fios
de miçangas adornadas, o penteado, os trajes, o bordado
na
arte de ver o que não deve ser visto
a
arte materializa a alma em corpos desnudos
concupiscente beija os lábios carnudos das
normas
para
viver e manifestar-se em quaisquer formas
além
dos templos, das casas, dos fóruns e dos muros
na arte de caminhar por caminhos tortuosos
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