atrevida emerge da nobreza das folhagens e cresce altiva
rápida, abraça o solo e lhe toma
conta, espontânea,
indesejada, é logo tachada, inço,
mato, daninha,
como uma opinião que não tenho
argumento,
uma situação desagradável e que lamento,
por tirar-se da acomodação em que
me sustento.
erva danadinha, traiçoeira,
enganadora, uma praga
sempre rejeitamos o que não
compreendemos
o que nos assola o sossego, que
perturba nossa dormência
assa-peixe, caruru, mussambê,
beldorega, maria-gorda,
trapoeraba, picão, feijão de
pomba, canela de urubu
desfilam vigorosas nas hortas,
jardins e plantações
suas flores, seus cheiros, suas
cores, seus mistérios
em ato inculto e arrogantes no
conhecimento
apenas alardeamos e condenamos
sem critérios
algumas trazem em si o sagrado,
segredo dos antepassados
abo làbelàbe, tètè, abéré, àrúnsánsán,
ápéjè, àsarágogo
outras carregam propriedades
medicinais: beldroega, picão preto
trapoeraba, assa-peixe, cardo
mariano, quanto mais é roçado?
por influência de frases do
passado, julgamos saber separar
do trigo o joio, mesmo sendo
caolhos, sem parâmetros para julgar
com esse princípio míope,
excluímos pessoas, vegetais e animais
levando à fogueira histórias e
valores que entendemos imprestáveis.

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