sábado, 10 de agosto de 2013

DANINHA




atrevida emerge da nobreza das folhagens  e cresce altiva
rápida, abraça o solo e lhe toma conta, espontânea,
indesejada, é logo tachada, inço, mato, daninha,
como uma opinião que não tenho argumento,
uma situação desagradável e que lamento,
por tirar-se da acomodação em que me sustento.

erva danadinha, traiçoeira, enganadora, uma praga
sempre rejeitamos o que não compreendemos
o que nos assola o sossego, que perturba nossa dormência
assa-peixe, caruru, mussambê, beldorega, maria-gorda,
trapoeraba, picão, feijão de pomba, canela de urubu

desfilam vigorosas nas hortas, jardins e plantações
suas flores, seus cheiros, suas cores, seus mistérios
em ato inculto e arrogantes no conhecimento
apenas alardeamos e condenamos sem critérios

algumas trazem em si o sagrado, segredo dos antepassados
abo làbelàbe, tètè, abéré, àrúnsánsán, ápéjè, àsarágogo
outras carregam propriedades medicinais: beldroega, picão preto
trapoeraba, assa-peixe, cardo mariano, quanto mais é roçado?

por influência de frases do passado, julgamos saber separar
do trigo o joio, mesmo sendo caolhos, sem parâmetros para julgar
com esse princípio míope, excluímos pessoas, vegetais e animais
levando à fogueira histórias e valores que entendemos imprestáveis.




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