sábado, 31 de agosto de 2013

Matemática no Cemitério




Onde a poesia se encontra com a matemática?
Há muitos e muitos anos, a partir de uma proposta de um trabalho interdisciplinar, alunos do então curso de Processamento de Dados da ETE "Dr. Adail Nunes da Silva" - Taquaritinga - ( Carlos Xavier, Carlos Renato, Claudemar Nascimbeni, Fabiano Casari, Jovanir Reis, Luís Gustavo, Maurício Rotter e Marco Antonio) inovaram com um estudo sobre a Matemática no Cemitério (geometria, projeção de espaço para futuros sepultamentos e muita criatividade). Além do féretro, carpideiras, trajes de luto houve também um sério estudo sobre conceitos matemáticos. 

Na tampa do caixão de madeira foi esculpido o poema...

 Ode Sombria

Tivemos a visão de um campo santo
Sabendo que lá faríamos
Nossa última jornada.
“E sonhando com
O mais lindo ataúde
(se é que existe belo no funesto)
Compramos nossa esquife eternal
Sentindo o macabro
Em nosso fim.
Orquídeas negras
Deverão cobrir nossos cadáveres
E o vento sepulcral
Sopraria nosso cortejo.
Nosso espírito, então, poderá ver
Algumas pessoas lutuosas
E decerto também verão
Alguns sepulcros cavados
Fingindo sentir o fim.
E nada importará
Pois só seremos
Corpos mortos
Massa cemiterial.
O ar estava funéreo
O coveiro feliz e cansado...
Vimos a fereza
Do destino
Em um féretro:
Que parecia mais sombrio,
Que a própria morte no eterno
Eclipse total.

(Jovão)


Nenhum comentário:

Postar um comentário