foto Geraldo Gabriel Bossini
nossos cheiros,
nossos humores, nossos sabores
aceitamos de bom
grado, no aconchego, cada um
deles compartilhamos
sem distinção ou enlevo
suores que escorrem e
se propagam hálitos e odores
as axilas despontam,
entre chulés e o aziúme
ressalta-se o vômito
e a bile, as serosidades, o pus,
são tantas marcas que
deixamos por todo lado
inclusive fazendo
ponte entre dois namorados
há quem registre o
odor de feromônios
unindo dois seres
atraídos em época apropriada
em tudo a
transpiração revela e o cheiro exala
concorrendo com o
caldo que cozinha na panela
o “bafo de onça” nem
se iguala em arma de autodefesa
na cama, banho ou
mesa há algo que se destaca
odor dos odores, de
implacável superioridade,
das axilas, do tiol,
nossos odores são digitais!
coisas presentes no
cotidiano de todos os animais
há de se destacar as
flatulências
Oh, salve a ti,
supremo odor dos flatos!
pum - peido - arroto –
eructação
em nada a ti se
compara, reinas desde as cavernas,
mesmo no teu silêncio
é possível comprovar os fatos
e saber que nos
acompanhas até mesmo após a morte!
entre pútridos eventos de nossas vidas
eis a marca, o
rótulo, a assinatura corporal
que se eleva qual
temporal em nossas entranhas
e nada te estranhas,
pois mesmo perante a higiene,
um pouco de ti vai
sempre se revelar...
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