domingo, 29 de setembro de 2013

Odores


foto Geraldo Gabriel Bossini


nossos cheiros, nossos humores, nossos sabores
aceitamos de bom grado, no aconchego, cada um
deles compartilhamos sem distinção ou enlevo
suores que escorrem e se propagam hálitos e odores
as axilas despontam, entre chulés e o aziúme
ressalta-se o vômito e a bile, as serosidades, o pus,
são tantas marcas que deixamos por todo lado
inclusive fazendo ponte entre dois namorados
há quem registre o odor de feromônios
unindo dois seres atraídos em época apropriada
em tudo a transpiração revela e o cheiro exala
concorrendo com o caldo que cozinha na panela
o “bafo de onça” nem se iguala em arma de autodefesa
na cama, banho ou mesa há algo que se destaca
odor dos odores, de implacável superioridade,
das axilas, do tiol, nossos odores são digitais!
coisas presentes no cotidiano de todos os animais
há de se destacar as flatulências

Oh, salve a ti, supremo odor dos flatos!
pum - peido - arroto – eructação
em nada a ti se compara, reinas desde as cavernas,
mesmo no teu silêncio é possível comprovar os fatos
e saber que nos acompanhas até mesmo após a morte!
entre pútridos  eventos de nossas vidas
eis a marca, o rótulo, a assinatura corporal
que se eleva qual temporal em nossas entranhas
e nada te estranhas, pois mesmo perante a higiene,
um pouco de ti vai sempre se revelar...


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