foto: Geraldo Gabriel Bossini
neste ano
estarei um tanto afastado, alongado, quieto,
oculto
em minha floresta de mil folhas
tecendo
a teia silenciosa de mim mesmo
vou
conversar com aquelas velhas árvores ancestrais
voar o voo
incógnito da coruja quer perpassa os galhos
vou me
recolher em meu silêncio e emudecido recitarei árias
é no
silêncio que a semente germina
é no
silêncio que a pérola toma forma
é no
silêncio que o lótus desabrocha
quero me
aquietar na rede que balouça ao toque da brisa da manhã
sentir o
leve beijo do sol em seus primeiros raios
ser uma
calada reticência
ser a
lua que passa, tão alta e gigante, em seu remanso
neste ano
estarei um tanto afastado, alongado, quieto,
cavalgando
minhas avenidas, ruas e vielas
onde
multidões não transitam
o sopro
que deu vida a massa informe de barro
a chama
tremulante do lampião
o
reluzir sereno dos pirilampos
vou
afundar-me em minha floreta
não, não
se inquiete
em breve
saio dela carregando frutos exóticos e carne para a panela
me
espere.
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