em minhas noites o vento frio rodeia o cobertor
apalpa-me em mãos gélidas e secas
como se Gollum quisesse me amar
o ruído do vento que arrasta as folhas
o silêncio escuro no véu em que esconde
os lábios que me tocam e me percorrem ávidos
correntes sonolentas me aprisionam
o torpor me arrasta em redemoinhos de devaneios
o corpo quieto sonha
quero sonhar o que nunca vi, viver o que nunca sonhei
tocar o delírio e a beleza
dançar uma dança circular com a incerteza
em minhas noites o
vento frio rodeia o cobertor
apalpa-me em mãos gélidas e úmidas
como se Gollum quisesse me amar
o cão late ao longe e seus sons reverberam em cérberos
temíveis
vejo o redemoinho de folhas secas
a poeira...a poeira seca
o beijo frio da noite
quero romper o silêncio das tumbas e ouvir os gemidos dos
antepassados
ouvir-lhes as histórias, as lendas, os mitos, os gritos
em minhas noites o calor me aquece
calor de mim mesmo
debaixo do cobertor
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