quarta-feira, 10 de julho de 2013

Gabriel e sua viagem inesquecível

Foto: Geraldo Gabriel Bossini

Ele era apaixonado pela vida. Adolescente ainda oscilava entre duas paixões: o basquete e fotografia. Era muito querido pelos seus amigos e seus pais. Tinha duas irmãs, Clara e Eunice. Cultivado como uma planta rara, o “rapinha do tacho” mostrava-se como um ser perfeito aos olhos daqueles que o amavam. Seu nome: Gabriel.

A cada dia mais se aproximava o momento da decisão, qual a profissão que escolheria? Seus hobbies algumas vezes o tocavam profundamente, em outras se esvaiam, emergindo uma dezena de possibilidades, que se diluíam tão rápido quanto haviam surgido. De alguma maneira invejava alguns colegas que notadamente demonstravam suas aptidões. O que desejava ser médico, advogado, engenheiro, professor, psiquiatra...mas para Gabriel esse assunto era um vácuo.

Certa manhã reuniu os pais e irmãs. Sairia para uma aventura. Com uma mochila nas costas e sua máquina fotográfica ganharia o mundo. A conversa teve a dimensão de uma bomba atômica. Críticas, censuras, medos, ansiedade, ameaças, lágrimas. Gabriel resolveu ouvir tudo e manter o que se passava em sua mente. Estava consciente dos perigos e privações. Queria arriscar, mesmo que se decepcionasse profundamente.

Em uma estação de ônibus conheceu Khenan. Um pouco mais velho que ele, cabelos rastafári, bom de papo, alegre e descontraído logo conquistou Gabriel. Estava indo para São Thomé das Letras, uma cidadezinha mineira, repleta de encantos e magia. Foram juntos. Cachoeiras, neblina, casas de pedra, lendas e belas fotos registraram seus momentos.

Aconchegado na Pedra da Bruxa teve um insight. Faria uma exposição de fotos em sua cidade. Retornando para casa, adormeceu no banco do ônibus. Ao abrir os olhos percebeu que estava acompanhado. Um passageiro sentara-se ao seu lado. Uma conversa começou. Gabriel contou de sua viagem e sua inspiração, falou da breve exposição. Entusiasmado o homem deu-lhe várias dicas, como se conhecesse muito de fotografia.

A exposição “Cidade de pedra: caminhos de Thomé” foi um grande sucesso. As fotos despertavam interesse e demonstravam a sensibilidade de Gabriel em captar as imagens. Quase ao final chegou um homem bem apessoado, de terno e chapéu branco, que logo Gabriel reconheceu. Era o homem que conhecera no ônibus!

Seu nome era Tartys. Ele prenunciou a contratação de Gabriel por uma grande revista fotográfica. De alguma forma o vaticínio se concretizou. Três meses depois integrava o corpo de fotógrafos da empresa.

Nunca mais viu Tartys. No entanto, estranhamente detectava sua presença em momentos importantes de sua vida. Entendeu tratar-se de seu anjo da guarda.

A vida é repleta de mistérios e os anjos caminham entre nós. Coincidências acontecem e se revelam na leitura de um livro, na frase dita por uma pessoa, uma sensação de alegria e paz, ou mesmo uma conversa informal com um desconhecido.

Talvez a estória de Gabriel seja apenas uma estória, mas talvez nos faça abrir os olhos e perceber que os anjos estão tentando falar conosco de inúmeras maneiras, bastando a intenção de querer ouvir...


Geraldo Gabriel Bossini




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