terça-feira, 9 de julho de 2013

O vento e a rosa

Foto: Geraldo Gabriel Bossini


penso...
penso calado nas pétalas da rosa
que se arrastam leves ao sabor insípido da brisa
já vão secas e esquecidas
talvez inúteis
o aveludado rubro e o perfume doce se dissiparam
resta o pendão solitário e desnudo
que se acomoda como pode no corpo da roseira

vão se sonhos, vai-se a vida desperdiçada
o silêncio lúgubre que se arrasta em minh´alma
nua, fria, abandonada
apenas ela e eu nesse momento
momento quase eterno
fincado na palidez dos dias
alma cadavérica em um castelo antigo
medito dias esquecidos na jornada...

penso...
no significado mouco da vida
o olhar cobiçoso da morte
os dias que se sucedem em sua sorte
o beijo e o refrigério
do sopro que ainda me resta

penso no passado
malditos dias que se foram!
nada hoje, nada agora, miraculosa construção de delírios
amanhã, tola esperança que eclode qual germe em minhas horas!

o que sou?
quem sou?

sou o vento que passa, inodoro e insignificante
 folhas arrastadas anos a fio, secas e mendicantes
sou a pétala da rosa amarelecida e desgastada
sou a roseira despida e renovada
nova flor, nova pétala, novo perfume,

nova brisa que lhe arrasta
para ser novamente dilacerada...


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