quarta-feira, 17 de julho de 2013

Poema da Dúvida

foto: Geraldo Gabriel Bossini

Ah! Que dor me invade intempestivamente
Ocupando espaços ociosos de minha mente
Que vazio é esse que me consome em cinzas
Sem que a chama me aqueça e me reconforte

Mesmo que, de toda sorte, eu chore e clame
E um profundo silêncio sobre mim se derrame
Chamo-te para estar comigo em dia infame
Para que me abrace, proteja, me acompanhe

E tua resposta é a indiferença, ultrapassando qualquer crença
Afinal, qual é o teu nome? Tua cara? Tua residência?!
Moras no alto, no infinito, na montanha, em minh´alma?
Sois criação puramente humana ou tu que te mostraste?

Se tua mudez é para testar-me a fé, abandono-te em tua vaidade
Creio no vento, nas ondas agitadas do mar, na neblina, na garoa
No bem que faço, presente e visível, no gesto espontâneo de amizade
Nem creio na piedade, vale mais o respeito e a solidariedade

Se tu existes criastes sistemas que hoje te dominam
Distantes estão de ti os milagres e as crenças
Tornastes comércio, ameaça, preconceito e morte
Se vives, levantas, toma o que ignoraste e anda!


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