foto: Geraldo Gabriel Bossini
Ah! Que dor me invade
intempestivamente
Ocupando espaços ociosos de minha
mente
Que vazio é esse que me consome
em cinzas
Sem que a chama me aqueça e me
reconforte
Mesmo que, de toda sorte, eu
chore e clame
E um profundo silêncio sobre mim
se derrame
Chamo-te para estar comigo em dia
infame
Para que me abrace, proteja, me
acompanhe
E tua resposta é a indiferença,
ultrapassando qualquer crença
Afinal, qual é o teu nome? Tua
cara? Tua residência?!
Moras no alto, no infinito, na
montanha, em minh´alma?
Sois criação puramente humana ou
tu que te mostraste?
Se tua mudez é para testar-me a
fé, abandono-te em tua vaidade
Creio no vento, nas ondas
agitadas do mar, na neblina, na garoa
No bem que faço, presente e
visível, no gesto espontâneo de amizade
Nem creio na piedade, vale mais o
respeito e a solidariedade
Se tu existes criastes sistemas
que hoje te dominam
Distantes estão de ti os milagres
e as crenças
Tornastes comércio, ameaça,
preconceito e morte
Se vives, levantas, toma o que ignoraste e anda!
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