domingo, 6 de fevereiro de 2011

CREPÚSCULO

"Há coisas que conhecemos e coisas desconhecidas, entre elas há portas" (Jim Morrison)

MARROM TURQUESA

Venho nas cores marrom e turquesa
Missangas, búzios e aloés
Senhor das folhas e da beleza
Não demonstre surpresa
Um misto caboclo
Que trás o passado de Roma e da Espanha
Não me desafia ou assanha
Você vai perder

Não meça comigo fortaleza
Pois nesse espaço sou o aço
Venço a palha e o ferro
Não tenho medo de berro ou
De corpo fechado
Desmancho teia, rede e embaraço

Sou forte na lança

Filho de Oxóssi e Iansã
De crença nos balangandãs
Nos pretos velhos de Angola
No curandeiro da mata
Pajés, quilombolas e xamãs

Ouça meu grito e minha saudação
Que ecoa no espaço
Comunhão com os antepassados
Entrecortando caminhos
Na mata fechada


Venho num redemoinho
Misterioso e oculto
Surjo e desapareço
Sem lugar, sem tempo,
Esse é meu passatempo
Olhar o vento
E ler teu pensamento

Danço num só momento
Entre árvores e nuvens
Olho o fundo da alma
E coleto cristais
Imersos nos olhos de quem me vê
A você dou da palma
Enebriante vinho para beber

Desmemoriado e adormecido
A flecha certeira te atinge o peito
Confuso pelo vento vai ser levado
No farfalhar da bamburucema

Devias ter percebido
poucos sabem viver dentro da mata
encontrar abrigo e alimento
ter como amigo o vento
e ali sobreviver.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O RETORNO

"Como a alma corporificada passa continuamente neste corpo, da infância à juventude e à velhice, a alma similarmente passa para outro corpo após a morte. Uma pessoa sóbria não se confunde com tal mudança “. Bhagavad Gita 2,13

O cão estava avançando agressivamente contra o portão de madeira envernizada. A frente da casa era muito arborizada, com um flamboyant e heras nos muros, além de mussaendas e gramíneas. A casa era tipo de fazenda, com ampla varanda ao redor, bem arejada, decorada com vasos de samambaias, copos de leite e antúrios. Carrancas e bancos de madeira rústica também decoravam o ambiente gerando tranqüilidade e simplicidade. A família não gostava do luxo, embora pudesse adotá-lo se o quisesse. Uriel era um mastim napolitano, jovem, de pelagem brilhante e bem cuidada. Investia contra o carteiro, que por alguma razão desconhecida ele detestava.
Malvina, gorda e risonha, abandonou o fogão e dirigiu-se apressada para recolher a correspondência, antes que Uriel tivesse uma síncope. Conferiu nomes e endereços e avançou para o interior da casa. Havia uma cestinha de vime onde cartas, bilhetes e lembretes eram colocados. Retornou aos seus afazeres. Cuidava da casa como se fosse sua, afinal estava com aquela família há incontáveis anos. Sabia de cada personalidade, hábito, mania e vontades de cada um. Preparava com imenso carinho os pratos preferidos e até separava as roupas que iriam usar naquele dia. Zelava pelas plantas e seu fiel amigo Uriel. Passava praticamente o dia ali sozinha, mas isso em nada a incomodava. Conhecia até os ninhos dos passarinhos nas árvores, a visita de uma família de gambás na jaqueira e beija-flores e borboletas que bailavam pelos camarões vermelhos, lantanas e hibiscus.
Além de Malvina ali residiam Catarina e seu esposo, Amadeu, e os filhos Ágatha e Fernando. Davam-se muito bem, respeitando-se as ações e reações naturais dos adolescentes. Os filhos eram gêmeos. Extremamente diferentes um do outro a não ser pela aparência. Ágatha, muito branca, de olhos azuis claríssimos, cabelos dourados, era bem questionadora, desconfiada e precisava sempre de provas materiais para seus questionamentos. Estudiosa, curiosa, obstinada, mostrava uma liderança natural, embora freada e controlada pelo rigor dos pais. Fernando, também loirinho, de pele alva, olhos de um azul celeste belíssimo, já demonstrava um caráter mais reservado. Pacato, atento, observador, muito bom na área de humanas e assustador nas exatas. Tinha uma marca de nascença ao lado esquerdo do umbigo na forma similar a uma flor de lis.
Viajavam muito, sempre interessados em conhecer lugares novos. Álbuns e mais álbuns de fotos registravam as peregrinações da família. Sempre tinham estórias para contar, episódios vivenciados nas mais diferentes situações ocorridas durante as viagens.
Naquele dia, Malvina estava preparando um saboroso nhoque ao sugo, prato predileto de Fernando. Para que não surgisse ciúmes entre os irmãos, de sobremesa caprichava no bolo de nozes para Ágatha. Na verdade todos comiam, mas os pratos dedicados a esse ou aquele refletiam o carinho de Malvina pelas “crianças”.
Catarina entrou esbaforida pela casa, acelerando o coração de Malvina. Fernando havia sido atropelado ao sair do colégio e estava no hospital. Amadeu já estava lá com ele. Pediu a Malvina que tranqüilizasse Ágatha e ficasse também confiante que iria agora ao encontro do marido. “Reze por ele”, recomendou.
A anciã correu para junto de seu modesto altar onde se visualizava um crucifixo, uma imagem de Nossa Senhora das Dores, uma imagem de São Roque e um rosário. Acendeu contrita uma vela e iniciou um ciclo de orações para que tudo estivesse bem.
Porém, os dias se passaram. Fernando estava em coma e não reagia. A família despencou em tristeza. Um profundo silêncio pairou sobre a casa; mesmo os pássaros que sempre a alegravam pareciam estar em oração. Foram dezessete dias de expectativas, esperanças e lágrimas que atordoaram a todos. No décimo sétimo dia faleceu. Uma cortina negra cobriu a casa. A alegria, os planos de viagens, os pratos saborosos foram excluídos da rotina. Via-se pessoas paradas, silenciosas, meditativas. Era muito freqüente surpreender as pessoas chorando e recusando-se acreditar no que havia acontecido e aguardavam a entrada misteriosa de Fernando pelo portão, brincando com Uriel, jogando a mochila sobre o sofá, deixando a camiseta na cozinha, a calça no banheiro e percorrendo a casa de cuecas para deixar as meias e tênis no quarto, lançados aleatoriamente.
Aos poucos as pessoas voltaram às suas atividades, sem o entusiasmo e vibração que caracterizava a residência. Os pássaros voltaram a entoar seus cantos, mas pareciam melancólicos e espaçados, como se um nó na garganta os impedisse de continuar. Malvina estava inconsolável e Uriel estranhava a ausência de seu amigo, buscando refugiar-se ao lado da cama do velho companheiro.
Ágatha adotou uma postura agressiva e revoltada. Arremessou a imagem do Arcanjo Gabriel que possuía contra a parede e declarou que não acreditava mais em Deus e em mais nada. O rendimento na escola caiu drasticamente. Tornou-se irônica e sarcástica. Recusava-se ir a missa e chegou algumas vezes alcoolizada em casa vindo de Raves. Os pais passaram a preocupar-se e buscaram aconselhar a filha, compartilhando a dor e o sofrimento. Porém, a menina demonstrava estar alheia a todos os argumentos.
Meses se passaram e os solstícios se sucederam sem que algo pudesse fazer reviver a família.
- Este é Lukas !, apresentou o moço aos pais que assistiam televisão dirigindo-se ao seu quarto. Apresentou sem formalidades, arrastando-o pela mão e sem dar tempo para qualquer palavra.
Lukas. Cabelos castanhos escuros bem lisos escorrendo pelo rosto, um piercing na boca, camiseta bem maior que o número dele, bermuda jeans bem desgastada e um tênis que parecia ter feito o caminho de Santiago. Enfim, passou a freqüentar a casa. Aos poucos também a dormir na casa. Ágatha parecia mais feliz e Lukas tinha uma conversa amistosa, agradável, divertida e contagiante. Fez bem para todos. Malvina logo aprendeu, com uma sensibilidade extrema, a reconhecer os alimentos preferidos dele. Estavam namorando e os pais aprovaram reconhecendo ser uma ótima pessoa, embora imaturo e inconseqüente em razão da própria idade.
Um brilho pálido reacendeu. Lukas acreditava em muitas coisas, inclusive que Fernando estava bem em algum lugar, continuando sua vida de outra maneira, em outro plano, o que fortalecia Catarina e Amadeu que, embora católicos fervorosos, deixaram-se abater gravemente e essa certeza já não era apresentada com tanta convicção. O namorado levava incensos para a casa comprados de monges Hare Krishna que encontrava nas ruas e dizia que era preciso trazer boas energias para a casa. Todos acabavam apreciando e curtindo os incensos, mantras e pedras com que presenteava.
Em um certo domingo decidiram fazer um churrasco. Amadeu e Lukas foram comprar cerveja, gelo, carnes, enquanto Malvina se esmerava no arroz, nas saladas, vinagrete. Ágatha convidou alguns amigos e amigas. Uriel foi presenteado com um enorme osso que prendeu sua atenção o dia todo. Não demorou para que o cheiro de carne se espalha-se.
Os amigos de Ágatha foram chegando. Eram poucos: Karen, Glaci, Rafael, Gustavo e Paolo. Todos muito divertidos e chegaram agitando a festa. Karen era mística, com um belo vestido indiano, cabelos curtos e um colar de sementes pendurado no pescoço. Glaci com jeans, camiseta, cabelos ruivos, cheia de tirar o sarro nos outros e logo fez amizade com Amadeu, com interminável conversa. Rafael, moreno, cabelos bem curtinhos, chinelo, bermuda, regata, fazia mais o gênero largado. Gustavo de calça de moleton, camiseta e havaiana, aparentando uma idade bem menor do que tinha, miudinho, mas com músculos já definidos. Paolo sem camisa, bermuda, chinelo, queimado do sol, loiro, olhos cor de mel. Era possível perceber a cumplicidade entre eles, um pequeno gesto se tornava uma monografia.
Beberam, riram, divertiram-se. Muito samba de roda. A alegria que havia desaparecido brotava.
Malvina aproveitando o momento de felicidade foi caminhar ao redor da casa e checar as plantas. Voltar a viver. Percebeu um vulto no quarto de Ágatha e aproximou-se do vidro da janela para certificar-se do que acontecia. Sentados na cama Lukas e Gustavo estavam se beijando. Suas pernas tremularam, começou a suar frio. Continuou sua caminhada confusa e inquieta. Achou por bem nada comentar. Quando retornou todos estavam novamente reunidos, chamando-a e oferecendo um copo de cerveja, pois sabiam que ela não bebia nada com álcool. Simulou normalidade.
Os dias se passaram. Malvina estava incomodada vendo Lukas chegar abraçado com a menina, beijá-la e dormir no mesmo quarto que ela, de repente fazendo bem mais do que isso. Criou coragem, aproveitando estarem as duas na cozinha.
- Você conhece bem o Lukas, minha menina ?, insinuou puxando conversa.
- Humm, acho que sim...por que ?, perguntou enquanto saboreava um pedaço de pizza gelado que havia pegado na geladeira.
- E o Gustavo ? Ele tem namorada ?, rodeou.
- Não tem não. Ele é boa gente, é o melhor amigo do Lukas!, ponderou enchendo o copo de refrigerante.
- E você nunca sentiu nada esquisito entre eles ?, arriscou puxando a cadeira e sentando-se quase na frente de Ágatha.
A menina desandou a rir.
- Você não entenderia, Vininha ! Seria demais pra sua cabeça !, disse levantando e dando um sonoro beijo nas bochechas da mulher.
Certamente ela sabia, meditou Malvina. Avaliou que seria conveniente falar com Catarina sobre isso, não poderia permitir que a menina se perdesse com pessoas assim. Ele era bonzinho, mas esse traço não fazia dele mais uma pessoa bem vinda.
A conversa com Catarina foi bombástica, fugindo do controle que Malvina acreditou que teria. No almoço, Catarina e Amadeu trancaram-se no quarto. Ouviam-se gritos, choros e murros provavelmente no guarda-roupas. As coisas pioraram quando Ágatha foi convocada para a reunião.
A menina saiu transfigurada e olhando de forma ameaçadora para Malvina declarou sem rodeios : “A felicidade tinha voltado e você conseguiu acabar com ela”.
Desde aquele dia Ágatha trancou-se no quarto. Não havia mais diálogo. Entrava e saía como se não conhecesse ninguém. Afastou-se de Lukas por imposição dos pais.
Sob o olhar atento de Malvina foi notado que entre enjôos e inchaços, Ágatha deveria estar grávida.
Outra bomba foi detonada sobre a casa. Repreensões, ameaças, críticas, lamentações e Ágatha completou seus nove meses de gestação. O nascimento do bebê passou uma borracha sobre o passado. Alisson transformou-se no xodó de todos, até mesmo de Uriel que o protegia deitando-se ao lado do berço. À medida que crescia assemelhava-se cada vez mais fisionomicamente a Fernando. Aos poucos além da fisionomia, gestos, expressões e em especial a marca de nascença. A mesma flor de lis estava estacionada ao lado do umbigo do menino.
Lukas havia mudado de cidade acompanhando a família. Jamais saberia da existência do filho.
Alisson era indolente, desorganizado, algumas vezes implicante, desleixado. Da mesma forma que Fernando, chegava desnudando-se e espalhando roupas por todos os cômodos, assim era o menino. Catarina o observava atenta relembrando o filho. Como ele puxou para o Fernando ! Se fosse filho dele talvez não parecesse tanto !
Em certa tarde quando dirigiu-se à escola para buscá-lo, Catarina encontrou uma velha amiga, Sofia, e resolveram parar em um café para conversarem e colocar as fofocas em dia, já que não se viam há muito tempo. Riram bastante, relembraram os dolorosos momentos do falecimento de Fernando e o íngreme caminho até o nascimento de Alisson. Foi quando Sofia, com seus imensos olhos verdes, fitou a amiga e segurando-lhe firme nas mãos, assegurou:
- Cara amiga, é provável que você não acredite, mas Alisson é Fernando. Eu posso ver com uma nitidez incrível isso. Seu filho voltou para seus braços...
- Queria tanto acreditar nisso, minha amiga !, revelou entre lágrimas, - mas isso não é possível, meu filho morreu e eu preciso me conformar, embora tanto tempo tenha passado e ainda espero acordar desse pesadelo e senti-lo me abraçando de novo.
- Querida, veja, abra os olhos ! Qual a diferença entre eles ? O jeito de andar, de falar...até a mesma marca de nascença ! Deus está lhe dando todas as provas de que ele não morreu, apenas está em outro corpo !, disse Sofia carinhosamente.
As evidências eram inquestionáveis. Até o nhoque de Malvina o seduzia, como antes. Catarina, contudo, resistia em aceitar que seu filho tivesse retornado, ao mesmo tempo em que Alisson tornara-se um abençoado oásis no árido deserto de sua vida.
Ao chegar em casa encontrou seu marido afundado no sofá lendo, atento e reflexivo, o Evangelho Segundo o Espiritismo. Vendo Catarina entrar, olhou-a demoradamente e comentou:
- Você já percebeu como Alisson e Fernando são parecidos ?

O MOSTEIRO

“A chegada da nova vida
constitui um acontecimento solene e impregnado de muita
esperança, bem como de riscos desconhecidos para a
própria mãe.” Alcorão

A noite estava escura e o vento frio parecia fatiar a pele como uma navalha afiada. Um lobo uivou distante ecoando por toda a planície. Parecia solitário perdido naquela imensidão despovoada, imersa em areia, dunas perpétuas que se sucediam. No meio do nada uma construção antiga persistia, talvez algum dia tenha acolhido monges que optaram por uma vida reclusa e isolada. Um lugar ermo, escuro, com salas interligadas e pequenos cômodos, poucos móveis mal talhados, feitos de madeira, e um grande salão que pode ter sido uma capela, perceptível pelo espaço do altar e uma grande cruz de madeira. Nos braços da cruz um tecido carcomido, corroído pelo tempo e pelas traças. Teias de aranha decoram os cantos e algumas de considerável dimensão caminham alheias e despreocupadas pelos aposentos.
A um canto de um cubículo, onde jaz uma cama de pedra sem colchão, Adilah grita, entre lágrimas, acariciando a grande barriga. As dores do parto se iniciaram. Teria a criança sozinha, afastada de todos e cuidaria dela como a tha`lab saharawi cuida de seus filhotes. Na verdade não tão sozinha. Estava acompanhada de Farrah, carregando consigo uma infinidade de anos, já curvada, mas de uma energia vital inesgotável.
Um enorme escorpião passa desfilando a sua frente. A dor é tão grande que a faz ignorar completamente o inseto. Farrah já havia conseguido tecidos e água retirada do profundo poço próximo a uma velha acácia. O choro de Jalal ecoou como pio do mocho pela noite. Era belo, forte e Adilah o abençoou sorrindo e agradecendo por aquele momento.
Aquele era um lugar adequado para manter-se enquanto se fortalecia e Jalal e Farrah pudessem atravessar o deserto e chegar ao Oásis de Kufra que embora não fosse tão distante iria exigir alguns sacrifícios. Naquele lugar era preciso garantir o precioso alimento, água fresca e sombra, assim como proteger-se dos djins e contando com a benevolência dos homens vestindo ihram que vez ou outra atravessam aquelas paragens.
Jalal crescia forte. O tempo passava e Adilah não se encorajava em sair dali. Aos poucos transformava o lugar com a ajuda constante de sua velha amiga.

“Tal é a benignidade de Deus. E basta Deus, Que é
Sapientíssimo” Alcorão
O mosteiro servia agora de repouso e descanso aos peregrinos. Tornara-se refúgio e paz. Havia sempre uma fugaz, mas reconfortante refeição e água pura para os homens e seus camelos. Jalal já era capaz de caçar e sempre trazia alguma carne para as mulheres. Os diálogos com os viajantes despertaram curiosidades no menino. De onde viera ? Quem seria seu pai ? O que fazia sua mãe imersa naquela imensidão de areia ? Insistiu inutilmente para que fosse esclarecido. Adilah encontrava serviços, preocupações e atividades mesmo quando a interrogava enquanto estava sentada junto às tamareiras.
Jalal tornara-se um belo efebo. Apesar das roupas rústicas era possível visualizar o corpo bem definido, moldado a partir dos trabalhos pesados dos quais era encarregado dia a dia.
Mais uma caravana se aproximava. Parecia um dia comum, se não tivesse surpreendido um homem muito bem vestido conversar com sua mãe demonstrando conhecê-la há tempos. Ele rogava para que ela voltasse. Fawwaz a queria de volta. Já a procurara ao redor do mundo e não tardaria para que seus homens viessem buscá-la, mesmo à força. Adilah desesperou-se. Prostrou-se em prantos, rogando que a ocultasse. Aguardou que ele se retirasse e o seguiu.
- Quem é Fawwaz ?, perguntou a queima roupa, olhando destemido para o homem já de meia idade com olhar altivo e feroz.
- E quem é você, garoto?, para interceptar dessa forma minha passagem?, advertiu ironizando o mancebo.
- Sou filho de Adilah e ouvi a conversa entre vocês, revelou o rapaz sem demonstrar qualquer receio.
- Filho de Adilah !, surpreendeu-se como se houvesse descoberto um tesouro entre as dunas do deserto.
O homem aproximou-se como quem se aproxima de uma relíquia. Tocou o Jalel parecendo tocar um tesouro inestimável, um objeto sagrado ou se deparasse com um anjo. Estava estupefato.
- Adilah não me disse que tinha um filho !, disse acariciando o rosto do jovem.
- Quem é Fawwaz ?, insistiu ignorando a contemplação do rico viajante.
- Uma pessoa adorável, precisa conhecê-lo, ele ficará exultante em saber de sua existência. Venha comigo e o levo até ele...argumentou malicioso.
- Se é tão bom por que minha mãe não quer vê-lo e não quer que ele saiba onde ela está, continuou focado na sua pergunta.
- Sente-se aqui. Vou contar !
O homem iniciou descrevendo uma região populosa, rica e abastada, além do deserto. Delineou todo o comércio local com a abundância de tecelões e vendedores de especiarias. Até que chegou ao grande palácio Abdul-Hamidé, onde reside Fawwaz, o grande senhor de todas as terras que avançam após o deserto. Esclareceu que Fawwaz governava um vasto território e possuía riquezas incalculáveis, mas Deus havia lhe dado seis filhas e nenhum herdeiro para o trono. Foi quando recebeu para o seu harém a bela e sedutora Adilah, dada a ele por seu pai em pagamento a uma dívida herdada pela família. O grande e impassível senhor teve seu coração arrancado pela rebelde jovem e desde então não descansou. Burlando a segurança do palácio e subornando servas conseguiu fugir, levando consigo uma velha escrava de nome Farrah.

“Cada homem nada era antes de ser criado, isto é, as
existências da sua personalidade foi ordenada por Deus.” Alcorão

Jalal congelou-se, seus músculos tremulavam, embora buscasse aparentar estar tranqüilo e seguro. Não era difícil entender o resto da sua história.Mergulhou-se em um poço de dúvidas. Valorizava sua mãe, pela coragem, ousadia e valentia, ao mesmo tempo em que seu coração pulsava com o desejo de conhecer seu pai, o grande Fawwaz. Sabia, contudo que esse encontro seria fatal e sua mãe seria levada ao grande sacrifício de entregar-se mais uma vez a alguém que não amava.
Revelou confiante sua insegurança.
- O amor se constrói, ele se desenha como as dunas do deserto ao sabor do vento. Fawwaz é um homem de grande caráter e é apaixonado por sua mãe. Nenhum mal cairá sobre vocês. Além disso, você é o herdeiro esperado por ele há anos e tão anunciado pelos astrólogos do reino. Venha comigo e sua mãe também virá.
- Leve-o, interferiu Adilah, aproximando-se, como se saísse do nada.
- Por que nunca me contou !, eu merecia saber !, falou Jalal confuso e sem poder traçar qualquer acontecimento do mais próximo futuro.
- O vento trás as pessoas e trás as revelações. Sempre soube que esse dia chegaria, por isso cuidei de você como sempre mereceu ser tratado: um príncipe. Agora o momento exige que você vá conhecer seu pai...siga o seu destino.
- Você deve ir conosco, mãe, não posso deixá-la, jamais a abandonaria...jurou sem atentar-se a palidez da mulher.
O moço, porém, não pôde continuar sua fala. Adilah caiu na areia quente, em convulsões impressionantes. Estava envenenada. Correram levá-la para o interior da hospedaria e encontraram Farrah já paralisada, de olhos esbugalhados e uma baba amarelada e espumosa escorrendo pela boca. Já era tarde, o veneno era fortíssimo e não demorou para que expirasse.
Ela preferira a morte ao encontro com seu senhor, iria vagar agora no reino misterioso das sombras, talvez as próprias sombras do antigo mosteiro.
Jalal seguiria seu caminho ao encontro de sua nova vida.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

EGO

Orgulho ferido ou subterfúgio para manter-se na acomodação ?

SIMULAÇÃO

É interessante como é possível e tão fácil as pessoas criarem cortinas de poeira para se manterem inertes e omissas.

CORPOS

Tantos beijos
Tantas bocas
Tantos corpos
Tantos sonhos
Expectativas vãs
Sonhos maltrapilhos
Expectativas diluídas
Amargas
Feridas
Tempo em que te conheci
Coisas que vivemos
Planos que esboçamos
Futuro impalpável
Num hoje fluido e vago

Tantos beijos
Tantas bocas
Tantos corpos
Prazeres escassos
Tantos fracassos
Tantas decepções

Hoje vendo as fotos
Lamento o tempo
Lamento de mim mesmo
Culpa
Arrependimento
De algo que não fiz

CONTOS EMANADOS DE SITUAÇÕES COTIDIANAS

“Os contos e poemas contidos neste blog são obras de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações terá sido mera coincidência”

SABORES DO COMENDADOR

Ator Nacional: Carlos Vereza

Ator Internacional: Michael Carlisle Hall/ Jensen Ackles/ Eric Balfour

Atriz Nacional: Rosamaria Murtinho / Laura Cardoso/Zezé Mota

Atriz Internacional: Anjelica Huston

Cantor Nacional: Martinho da Vila/ Zeca Pagodinho

Cantora Nacional: Leci Brandão/ Maria Bethania/ Beth Carvalho/ Alcione/Dona Ivone Lara/Clementina de Jesus

Música: Samba de Roda

Livro: O Egípcio - Mika Waltaire

Autor: Carlos Castañeda

Filme: Besouro/Cafundó/ A Montanha dos Gorilas

Cor: Vinho e Ocre

Animal: Todos, mas especialmente gatos, jabotis e corujas.

Planta: aloé

Comida preferida: sashimi

Bebida: suco de graviola/cerveja

Mania: (várias) não passo embaixo de escada

O que aprecio nas pessoas: pontualidade, responsabilidade e organização

O que não gosto nas pessoas: pessoas indiscretas e que não cumprem seus compromissos.

Alimento que não gosta: coco, canjica, arroz doce, melão, melancia, jaca, caqui.

UM POUCO DO COMENDADOR.


Formado em Matemática e Pedagogica. Especialista em Supervisão Escolar. Especialista em Psicologia Multifocal. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa pela ABD e Instituto VAEBRASIL.

Comenda Rio de Janeiro pela Febacla. Comenda Rubem Braga pela Academia Marataizense de Letras (ES). Comenda Castro Alves (BA). Comendador pela ESCBRAS. Comenda Nelson Mandela pelo CONINTER e OFHM.

Cadeira 023, da Área de Letras, Membro Titular do Colegiado Acadêmico do Clube dos Escritores de Piracicaba, patronesse Juliana Dedini Ometto. Membro efetivo da Academia Virtual Brasileira de Letras. Membro da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias. Membro da Literarte - Associação Internacional de Escritores e Acadêmicos. Membro da União Brasileira de Escritores. Membro da Academia de Letras e Artes de Fortaleza (ALAF). Membro da Academia de Letras de Goiás Velho (ALG). Membro da Academia de Letras de Teófilo Ottoni (Minas Gerais). Membro da Academia de Letras de Cabo Frio (ARTPOP). Membro da Academia de Letras do Brasil - Seccional Suíça. Membro da Academia dos Cavaleiros de Cristóvão Colombo. Embaixador pela Académie Française des Arts Lettres et Culture. Membro da Academia de Letras e Artes Buziana. Cadeira de Grande Honra n. 15 - Patrono Pedro I pela Febacla. Membro da Academia de Ciências, Letras e Artes de Iguaba Grande (RJ). Cadeira n.º 2- ALB Araraquara.

Moção de Aplausos pela Câmara Municipal de Taquaritinga pelos serviços em prol da Educação. Moção de Aplausos pela Câmara Municipal de Bebedouro por serviços prestados à Educação Profissional no município. Homenagem pela APEOESP, pelos serviços prestados à Educação. Título de Cidadão Bebedourense. Personalidade 2010 (Top of Mind - O Jornal- Bebedouro). Personalidade Mais Influente e Educador 2011(Top of Mind - O Jornal- Bebedouro). Personalidade 2012 (ARTPOP). Medalha Lítero-Cultural Euclides da Cunha (ALB-Suíça). Embaixador da Paz pelo Instituto VAEBRASIL.

Atuou como Colunista do Diário de Taquaritinga e Jornal "Quatro Páginas" - Bebedouro/SP.
É Colunista do Portal Educação (http://www.portaleducacao.com.br

Premiações Literárias: 1º Classificado na IV Seletiva de Poesias, Contos e Crônicas de Barra Bonita – SP, agosto/2005, Clube Amigo das Letras – poema “A benção”, Menção Honrosa no XVI Concurso Nacional de Poesia “Acadêmico Mário Marinho” – Academia de Letras de Paranapuã, novembro/2005 – poema “Perfeita”, 2º colocado no Prêmio FEUC (Fundação Educacional Unificada Campograndense) de Literatura – dezembro/2005 – conto “A benção”, Menção Especial no Projeto Versos no Varal – Rio de Janeiro – abril/2006 – poema “Invernal”, 1º lugar no V Concurso de Poesias de Igaraçu do Tietê – maio/2006 – poema “Perfeita”, 3º Menção Honrosa no VIII Concurso Nacional de Poesias do Clube de Escritores de Piracicaba – setembro/2006 – poema “Perfeita”, 4º lugar no Concurso Literário de Bebedouro – dezembro/2006 –poema “Tropeiros”, Menção Honrosa no I concurso de Poesias sobre Cooperativismo – Bebedouro – outubro/2007, 1º lugar no VI Concurso de Poesias de Guaratinguetá – julho/2010 – poema “Promessa”, Prêmio Especial no XII Concurso Nacional de Poesias do Clube de Escritores de Piracicaba, outubro/2010, poema “Veludo”, Menção Honrosa no 2º Concurso Literário Internacional Planície Costeira – dezembro/2010, poema “Flor de Cera”, 1º lugar no IV Concurso de Poesias da Costa da Mata Atlântica – dezembro/2010 – poema “Flor de Cera”. Outorga do Colar de Mérito Literário Haldumont Nobre Ferraz, pelo trabalho Cultural e Literário. Prêmio Literário Cláudio de Souza - Literarte 2012 - Melhor Contista.Prêmio Luso-Brasileiro de Poesia 2012 (Literarte/Editora Mágico de Oz), Melhor Contista 2013 (Prêmio Luso Brasileiro de Contos - Literarte\Editora Mágico de Oz)

Antologias: Agreste Utopia – 2004; Vozes Escritas –Clube Amigos das Letras – 2005; Além das Letras – Clube Amigos das Letras – 2006; A Terra é Azul ! -Antologia Literária Internacional – Roberto de Castro Del`Secchi – 2008; Poetas de Todo Brasil – Volume I – Clube dos Escritores de Piracicaba – 2008; XIII Coletânea Komedi – 2009; Antologia Literária Cidade – Volume II – Abílio Pacheco&Deurilene Sousa -2009; XXI Antologia de Poetas e Escritores do Brasil – Reis de Souza- 2009; Guia de Autores Contemporâneos – Galeria Brasil – Celeiro de Escritores – 2009; Guia de Autores Contemporâneos – Galeria Brasil – Celeiro de Escritores – 2010; Prêmio Valdeck Almeida de Jesus – V Edição 2009, Giz Editorial; Antologia Poesia Contemporânea - 14 Poetas - Celeiro de Escritores, 2010; Contos de Outono - Edição 2011, Autores Contemporâneos, Câmara Brasileira de Jovens Escritores; Entrelinhas Literárias, Scortecci Editora, 2011; Antologia Literária Internacional - Del Secchi - Volume XXI; Cinco Passos Para Tornar-se um Escritor, Org. Izabelle Valladares, ARTPOP, 2011; Nordeste em Verso e Prosa, Org. Edson Marques Brandão, Palmeira dos Indios/Alagoas, 2011; Projeto Delicatta VI - Contos e Crônicas, Editora Delicatta, 2011; Portas para o Além - Coletânea de Contos de Terror -Literarte - 2012; Palavras, Versos, Textos e Contextos: elos de uma corrente que nos une! - Literarte - 2012; Galeria Brasil 2012 - Guia de Autores Contemporâneos, Celeiro de Escritores, Ed. Sucesso; Antologia de Contos e Crônicas - Fronteiras : realidade ou ficção ?, Celeiro de Escritores/Editora Sucesso, 2012; Nossa História, Nossos Autores, Scortecci Editora, 2012. Contos de Hoje, Literacidade, 2012. Antologia Brasileira Diamantes III, Berthier, 2012; Antologia Cidade 10, Literacidade, 2013. I Antologia da ALAB. Raízes: Laços entre Brasil e Angola. Antologia Asas da Liberdade. II Antologia da ACLAV, 2013, Literarte. Amor em Prosa e Versos, Celeiro de Escritores, 2013. Antologia Vingança, Literarte, 2013. Antologia Prêmio Luso Brasileiro - Melhores Contistas 2013. O tempo não apaga, Antologia de Poesia e Prosa - Escritores Contemporâneos - Celeiro de Escritores. Palavras Desavisadas de Tudo - Antologia Scortecci de Poesias, Contos e Crônicas 2013. O Conto Brasileiro Hoje - Volume XXIII, RG Editores. Antologia II - Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro. antologia Escritores Brasileiros, ZMF Editora. O Conto Brasileiro Hoje - Volume XXVI - RG Editores (2014). III Antologia Poética Fazendo Arte em Búzios, Editora Somar (2014). International Antology Crossing of Languages - We are Brazilians/ antologia Internacional Cruce de Idiomas - Nosotros Somos Brasileños - Or. Jô Mendonça Alcoforado - Intercâmbio Cultural (2014). 5ª Antologia Poética da ALAF (2014). Coletânea Letras Atuais, Editora Alternativa (2014). Antologia IV da Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro, Editora Iluminatta (2014). A Poesia Contemporânea no Brasil, da Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro, Editora Iluminatta (2014). Enciclopédia de Artistas Contemporâneos Lusófonos - 8 séculos de Língua Portuguesa, Literarte (2014). Mr. Hyde - Homem Monstro - Org. Ademir Pascale , All Print Editora (2014)

Livros (Solos): “Análise Combinatória e Probabilidade”, Geraldo José Sant’Anna/Cláudio Delfini, Editora Érica, 1996, São Paulo, e “Encantamento”, Editora Costelas Felinas, 2010; "Anhelos de la Juvenitud", Geraldo José Sant´Anna/José Roberto Almeida, Editora Costelas Felinas, 2011; O Vôo da Cotovia, Celeiro de Escritores, 2011, Pai´é - Contos de Muito Antigamente, pela Celeiro de Escritores/Editora Sucesso, 2012, A Caminho do Umbigo, pela Ed. Costelas Felinas, 2013. Metodologia de Ensino e Monitoramento da Aprendizagem em Cursos Técnicos sob a Ótica Multifocal (Editora Scortecci). Tarrafa Pedagógica (Org.), Editora Celeiro de Escritores (2013). Jardim das Almas (romance). Floriza e a Bonequinha Dourada (Infantil) pela Literarte. Planejamento, Gestão e Legislação Escolar pela Editora Erica/Saraiva (2014).

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Metodologia e Avaliação da Aprendizagem

Pai´é - Contos de Muito Antigamente

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Contos de Geraldo J. Sant´Anna e fotos de Geraldo Gabriel Bossini

ENCANTAMENTO

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meus poemas

Análise Combinatória e Probabilidades

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juntamente com o amigo Cláudio Delfini

Anhelos de la Juvenitud

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Edições Costelas Felinas

A Caminho do Umbigo

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Edições Costelas felinas

Voo da Cotovia

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Celeiro de Escritores

Divine Acadèmie Française

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Prêmio Luso Brasileiro de Poesia 2012/2013

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Literarte/Mágico de Oz (Portugal)

Lançamento da Antologia Vozes Escritas

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Noite de autógrafos em Barra Bonita-SP

Antologia Literária Cidade - Volume II

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Poemas : Ciclone e Ébano

Antologia Eldorado

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Antologia II

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Antologia Cidade 10

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Org. Abílio Pacheco

Antologia da ALAB

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Antologia Poesia Contemporânea - 14 Poetas

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Lançamento do CELEIRO DE ESCRITORES

Contos de Hoje - Narrativas

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Literacidade

O Conto Brasileiro Hoje

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RG Editores

4ª Antologia da ALAF

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