sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

MISTÉRIO NA RUA 7

A estrada era acidentada, repleta de curvas e sem acostamento. Em alguns trechos abismos anunciavam que qualquer eventualidade seria fatal. A paisagem, por outro lado, era belíssima. Muitas árvores, muito verde, emergindo vez ou outra uma cachoeira. Um macaquinho apressado cruzou o caminho deixando os recém-casados empolgados e felizes. Nas árvores um tucano, uma coruja buraqueira, um gavião. Sentiam-se renovados. Seria realmente uma nova vida.
Sarah e Alex se casaram e estavam de mudança para uma cidadezinha bem menor do que residiam, mas ali encontraram suas oportunidades profissionais e decidiram ser seu futuro lar. A pequena cidade era bem pacata, caminhando no ritmo de crescimento de um pé de jatobá. Mas era de clima agradável e com solo fértil para as propostas do casal. Eles estavam instalando o primeiro e único jornal da cidade e para dinamizar esse trabalho iniciariam uma grande campanha onde a própria população o batizaria. O vencedor ganharia um televisor.
Compraram uma casinha de esquina, simples e confortável, bem arborizada. Fizeram alguns reparos na casa eliminando goteiras e vazamentos, providenciaram a pintura e outros pequenos consertos. A casa estava muito boa. Sarah parecia ainda mais entusiasmada decorando a casa a seu modo, curtindo cada detalhe, afinal esse sempre fora seu grande sonho: sua casa, sua vida, em especial ao lado de Alex, após oito anos juntos. Também fazia parte da família Godofredo, um jabotizinho mal encarado que logo buscou a proteção das folhagens que rodeavam a casa.
Estavam exaustos. Jogaram-se na cama esgotados, garantindo apenas um rápido beijo de boa noite.
Alex acordou pela madrugada ouvindo um ruído estranho na cozinha, como se arrastassem a mesa. Ficou um tempo sentado na cama ouvindo para ter certeza, enquanto olhava a esposa desmaiada a seu lado. Novamente o ruído, agora uma cadeira parece ter caído. Certo de haver ladrões na casa caminhou furtivamente na penumbra, pé ante pé, com o coração acelerado e pernas trêmulas, aproximando-se da cozinha. Olhou esperando o pior.
A cozinha estava intacta. Mais uma olhada e tudo normal. Checou as janelas e porta. Foi até a sala. Tudo fechado. Entrou nos outros dois quartos. Tudo em silêncio. Riu-se de si mesmo. O cansaço estava causando alucinações. Retornou a cama e adormeceu profundamente.
A cidade agitou-se com a instalação de um jornal. Em pouco tempo o “Flauteando” conquistou a população pelas matérias bem feitas, a forma cômica de apresentar os fatos, a originalidade e participação popular nos artigos e depoimentos.
Sarah chegou apressada para o almoço. Alex já estava esquentando a comida com a música muito alta. Chegou abaixando o som, jogando a bolsa no sofá e apanhando um copo de suco gelado. Esborrachou-se na cadeira, rindo e contando as peripécias da manhã. De soslaio olhou o longo corredor que dá acesso aos quartos, percebendo um vulto entrar no quarto do casal. Levantou-se de um salto e falou num impulso: “Uma pessoa entrou no nosso quarto”. O marido, com a faca na mão, saiu em disparada em direção ao quarto. A porta fechada. Abriu-a de supetão. A janela fechada e o quarto escuro. Acendeu a luz. Olhou embaixo da cama. Abriu o guarda-roupa. Absolutamente nada. “Ficou louca !” , emergindo aí a primeira discussão na casa, acabando em gargalhadas.
Outra noite. Sarah se espreguiça na cama e ao abrir os olhos depara-se com uma mulher fitando-a, muito próxima, inclinada olhando seu rosto. Os rostos estavam muito próximos. Grita cobrindo a cabeça com o lençol. Alex desperta assustado. “Tem uma mulher no nosso quarto !”. “Não tem ninguém, sua louca!”, afirma o homem levantando-se e checando novamente todos os lugares que poderia ter-se escondido. “Era uma mulher velha, de cabelos brancos, curtos, encaracolados...tinha um xale amarelo desbotado”. “Você sonhou , não tem ninguém, olhei a casa inteira!”. “Eu juro que tinha uma mulher aqui!”, confirmou chorando. “Você sonhou, durma.”. Sarah não dormiu, o dia amanheceu e retornou ao jornal.
O vulto e a aparição da senhora ficou na cabeça da jornalista. Decidiu pesquisar sobre a casa onde morava. Procurou vizinhos. Alguns diziam que a casa estava fechada há anos e que a família havia se mudado para a Capital. Outros diziam não saber. Outros preferiam nem ouvi-la, bastando falar da casa. Havia um mistério ali e que precisava ser desvendado. Toda a compra havia sido feita através da imobiliária. Era justamente para lá que iria. Curiosamente a imobiliária recusou-se a fornecer o contato, dizendo que não poderia fazê-lo a pedido dos antigos donos. Uma pulga atrás da orelha.
Chegou em casa e ao abrir a porta viu-se novamente paralisada. Sentada no sofá a mulher lhe olhava e sorria. Gritou irrefletidamente :”Quem é a senhora ?”, mas ao acender a luz percebeu que a casa estava solitária e vazia. Apenas Godofredo entrou pela sala em seus costumeiros passeios. Trêmula sentou-se, ligou a televisão sem conseguir concentrar-se. A imagem da senhora pulsava em sua mente. No dia seguinte conversaria com Dona Quitinha, uma senhora bastante idosa que morava há um quarteirão dali.
A casa era paupérrima. As paredes mostravam a falta de cuidados há anos. Manchas de lodo e bolor, já não era possível definir com clareza a cor original da casa, predominando um caramelo bem desfocado. Uma galinha cacarejou assustada com as palmas de Sarah. O cachorro ensaiou um latido, mas preferiu continuar deitado junto ao mamoeiro. A senhora chegou ao portão de madeira lentamente tendo uma faixa amarrada na barriga da perna esquerda, talvez em razão de algum ferimento.
- O que você quer ? – perguntou sem rodeios e com certa agressividade.
- Bom dia, sou nova aqui na cidade e estou morando bem perto daqui...como a senhora mora há muito tempo aqui gostaria que me contasse algumas coisas sobre a cidade, sua vizinhança...
- O que você quer saber ?, questionou desconfiada.
- Podemos sentar e conversar ? Prometo que não tomarei muito tempo da senhora...
A senhora abriu o portão, virou as costas e entrou sem qualquer palavra, seguida silenciosamente por Sarah.
- Sente ! – ordenou com autoridade.
- Como disse estou morando aqui há pouco tempo e quero saber mais sobre a cidade. Estou morando logo ali na esquina, entre a Rua 7 e a Treze ...aliás, podemos começar por ali, quem morava naquela casa ?
- A casa está vazia há muitos anos, muitos anos mesmo...ali morou uma grande amiga.
- Que bom ! O que a senhora pode me contar sobre ela ? – perguntou aproveitando a deixa.
- Chamava Milta, ou pelo menos era assim que todos a chamavam. Nunca soube o verdadeiro nome dela. Faleceu há anos e aí a casa ficou fechada. Os filhos moravam muito longe e não deram importância ao imóvel, pelo menos assim penso, foi vendida e já passou por várias mãos.
- A senhora sabe a causa da morte dela?, - questionou aproximando-se mais, demonstrando interesse.
- Não sei. Houve um corre-corre lá na casa, a filha mais velha veio dizendo que ia levá-la para o hospital na cidade grande, depois ficamos sabendo que tinha morrido. Em cidade pequena as notícias são muito rápidas, se você não tomar cuidado nunca terá matérias para o seu jornal. A língua espalha notícias mais rápido que papel.
- Então a senhora sabe quem sou...
- Como eu disse aqui as notícias correm...e sei também por que você está aqui com esse blá-blá-blá todo !, falou encarando a moça.
- Como assim ?, disse desajeitada, arrumando-se no sofá, pega de surpresa.
- Você está aqui por que você a viu.
- Meu Deus ! Como a senhora sabe disso ?
- A casa permanece fechada e não é à toa. Ela começa aparecer, provocar coisas, as pessoas vão embora.
Sarah estava perplexa. Então era verdade. Os vultos, as visões, os ruídos. Dona Milta estava lá, caminhando pela casa da mesma forma que quando viva. Aliás, estava viva, palpável, era possível sentir o perfume dela, ouvir seus passos. Como contaria isso para o Alex ?
Dona Milta tratou, contudo, de encurtar o diálogo. Sarah encontrou o marido pálido e tremendo como vara verde. Ao dirigir-se à cozinha para fazer um capuccino deu de topo com a senhora, com seu xale, chinelinho e vestido de chita, parada junto à janela. Não foi difícil convencê-lo sobre o que estava acontecendo.
Tinham que tomar uma decisão: mudariam de casa, aprenderiam a conviver com ela ou buscariam uma maneira de Dona Milta seguir seu caminho espiritual. A primeira possibilidade estava comprometida, o casal havia investido o que tinham na compra e reforma da casa, aquisição do espaço para o jornal, equipamentos e outros gastos naturais do investimento. Acostumar-se com as aparições não seria fácil. Quanto a terceira opção não sabiam como proceder. Nunca foram religiosos e não seguiam nenhuma crença específica. Sarah pensou na velha amiga, Dona Quitinha.
Alex tentou, sem êxito, instalar algumas câmeras fotográficas e de filmagem buscando capturar uma imagem da senhora, mas ela parecia ter sumido. Nada de ruído, vultos, aromas ou aparições. Avançaram algumas semanas. Acreditaram que tudo havia cessado, certamente a senhora havia encontrado a luz.
Um estouro na madrugada os fez mudar de idéia. Saltaram da cama em pânico. Provavelmente o teto da cozinha havia desabado. Vacilantes chegaram a cozinha. Tudo estava em paz. Aliviaram-se. A porta de um dos quartos bateu violentamente. O coração parecia saltar pela boca. Olharam pelo corredor e silêncio tumular. A luz da sala acendeu e apagou várias vezes sozinha. Retornaram ao quarto pensando o que fazer. Teriam que ficar ali. A cidade tinha apenas um hotel, muito pequeno, mas fechava às vinte e duas horas, reabrindo às seis da manhã e eram três horas da madrugada. Deitaram-se esperando novos fenômenos, mas nada aconteceu.
Dona Quitinha concordou em visitar a casa. Desde a ida de Dona Milta ao hospital nunca mais entrara na casa, onde tantas vezes tomara o chá da tarde. Entrou apreensiva. Sarah a conduziu pelo corredor aos quartos, depois cozinha e sentaram-se na sala. Passaram a saborear um chá de anis-estrelado com bolo de fubá. Podia-se sentir a paz da casa, silenciosa e ventilada. Ela não apareceria. Por alguma razão ela se ocultava da amiga.
A amiga de Dona Milta, entre decepcionada pela não aparição e aliviada por isso, levantou-se despedindo-se, mas retrocedeu ao vê-la em pé na porta, olhando-a ternamente, com um sorriso nos lábios e braços abertos, prontos para um abraço, como era seu hábito. Dona Quitinha não sabia o que fazer, se ia ao encontro da amiga ou permanecia admirando-a. Para todos os efeitos estava paralisada. Venceu o temor, sorriu e também abriu os braços. A visão esvaiu-se. Dona Quitinha buscou de todas as formas controlar as lágrimas e a emoção. Após tantos anos revia a velha amiga.
A partir desse dia, Dona Quitinha começou a sonhar. Os sonhos pareciam muito reais, revelando cenas que antecederam o desaparecimento de Dona Milta. Via a mulher pressionada pela filha endividada sugando-lhe cada vintém que possuía. Exigia, cobrava, fazia chantagens emocionais. Queria mais.
A idosa despertava indignada rememorando os sonhos. Estava impressionada. Afinal, Cida sempre tinha sido uma ótima filha, embora morasse tão longe. Milta sempre falava dela com amor incondicional. Era a única filha. Milta costumava ler, para Dona Quitinha, as doces cartas que a filha lhe enviava. Eram momentos ternos, gostosos, inesquecíveis.
Porém, as noites traziam novas revelações. Dona Milta sendo arrastada para longe, na casa de Cida, sendo maltratada e explorado, tendo que retirar suas economias, juntadas com tantas dificuldades, e entregando para a moça gananciosa, inconseqüente e ingrata. Quitinha resolveu compartilhar os insistentes sonhos com Sarah.
Na casa a vida oscilava entre o céu e o inferno. Quando Dona Milta não aparecia, a casa desabava em ruídos estrondosos mantendo o casal acordado a noite toda. Sarah e Alex concentravam-se para não perderam o foco e a energia para o trabalho, pois em geral chegavam ao trabalho esgotados e sonolentos.
Os sonhos de Dona Quitinha deram trégua. Através de sua filha, Alcina, foi possível conhecer o paradeiro de Cida. Talvez ela pudesse contar exatamente o que havia acontecido com sua mãe. Os contatos com Sarah e Alex permitiram rapidamente organizarem a viagem. Iriam juntamente com Alcina e Dona Quitinha. Seriam pelo menos seis horas de viagem.
Apesar do cansaço, desencontros de informações e caminhos errados chegaram a uma casa em condições bem mais precárias que de Dona Quitinha. Cida abriu a porta da casa desfigurada, mas reconheceu Alcina e Dona Quitinha rapidamente, num choro incontrolável. Sarah e Alex foram apresentados e todos entraram para o interior da moradia. A situação era dolorosa. O sofá velho, com o tecido rasgado, madeira e molas à mostra, acolheu como pode cada um dos visitantes. Um cachorro consumido pela sarna dormia na sala. A pobreza reinante ali doía o coração.
Cida contou que há tempos vinha atravessando problemas financeiros, afundando cada vez mais, que trouxera a mãe para passar um tempo com ela mas havia ficado muito doente e morrera. Após a morte vendera a casa para pagar algumas dívidas, mas parece que tudo foi consumido e no lugar de saná-las parece ter feito redobrar os valores. Há anos se arrastava como podia, passando fome muitas vezes. Perdera a casa e tudo o que tinha de valor. Morava ali de favor, junto com um homem que mal parava em casa, fazia bicos pela cidade e bebia muito, causando mais sofrimento que felicidade. Tinha tido três filhos, mas havia dado para a adoção.
Resolveram que deveriam revelar a ela o que vinha acontecendo na esperança de que alguma verdade emergisse dali, já que as palavras de Cida pareciam frágeis e dissimuladas.
- Ela tinha muito dinheiro, podia ter me ajudado... – a frase saiu impensada e sem tempo para ser restringida.
- Minha querida, você sabe que sou praticamente sua mãe, vivemos juntas. Muitas vezes lhe dei mamadeira e mingau, cuidei de seus ferimentos, acalentei seu sono, você pode se abrir comigo, saberei compreender... – insistiu amorosamente Dona Quitinha.
Mas a já senhora parecia insensível. Ou não acreditava nas palavras e narrações feitas ou tinha um coração perturbado, endurecido e vil. Pressionada cada vez mais mostrou-se irritada e numa explosão de raiva disse sua mãe nunca tivera piedade de sua penúria e por isso vendera os filhos. “Vendi mesmo !”, declarou com frieza. “Duas meninas e um menino”. Começou a andar pela sala, acendeu um cigarro visivelmente nervosa. “Uma menina foi para uma dona que parou com um carrão lá onde eu morava, pagou e levou, nem sei pra onde”. Respirou fundo e querendo agredir a todos continuou. “A outra foi um homem que chegou cheio de conversa, ofereceu dinheiro e eu peguei”. Uma outra caminhada pela sala, uma baforada, uma encarada em cada um. “Aí, aí, apareceu um tal que gostava de meninos, disse que meu filho era lindo, e eu disse é tanto!”. “Ele me trouxe o dinheiro e levou o infeliz”. “Não sei se estão vivos, se estão mortos, também não me interessa. E se quiserem saber mais, os outros eu abortei”.
Estavam todos perplexos e indignados. Alcina arriscou-se a dizer se ela havia vendido a mãe também. A mulher pareceu virar onça. “Não, não vendi. Quem iria querer comprar? Morreu. Sempre dizia que ia morrer de desgosto. Ela viu levarem as crianças. Via eu transar com meu nêgo aqui nesse sofá, e ele sempre dizia que se ela quisesse também, ele estava disponível. Um dia ele pegou ela, mas eu não estava em casa.E acho que não foi uma vez só”."Foi numas dessas arruaças dos dois que ela bateu a cabeça na quina da cômoda e morreu..."
- Cida, eu não sei em que você se transformou...apenas sei que sua mãe jamais mereceu viver tudo isso. Com a morte de seu pai, ela fez das tripas coração para que você estudasse, tivesse uma formação, fosse uma mulher digna. Abriu mão de si mesma para que você tivesse oportunidades. E você usou tudo isso para se transformar num monstro !, censurou Dona Quitinha levantando-se e dirigindo-se à porta para ir embora, seguida pelos demais.
- Isso mesmo, pra rua vocês, vão embora. Isso aqui é casa de pobre e vocês não sabem o que é passar necessidade...vão embora, sumam daqui... – Cida tocou-os para fora de casa, inclusive indo para a cozinha e pegando uma vassoura.
Alcina retrocedeu, encarou a mulher.
- Conheço pessoas bem mais pobres que você e que nunca perderam a decência, a dignidade, a moral. Um dia nós brincamos juntas, tecemos muitos sonhos, fizemos planos...hoje sinto-me enojada, você se perdeu de maneira que não há mais como se achar...
- Sai daqui, vai dar conselhos pra outro, que sonho? que plano? tudo besteira ! Só porque você casou aí com um cara mais ou menos de vida, acha que tá por cima...espera pra ver...logo você estará como eu !
Todos acharam melhor não persistir na inútil conversa e diante de tudo o que ficaram sabendo entenderam melhor pegar novamente a estrada e chegar em casa. Isso era o que mais queriam.
No caminho refletiram sobre os tristes últimos dias de Dona Milta vendo a filha perdida e revoltada, os netos sendo comercializados, sendo violentada pelo genro, explorada e humilhada de todas as formas. Talvez por isso tenha retornado à paz de sua casa.
Chegaram muito tarde. Dona Milta não apareceu, não ocorreram ruídos, parecia que ela queria que descansassem depois da exaustiva viagem.
Passaram-se meses. Dona Quitinha surgiu no jornal esbaforida. Cida havia sido assassinada pelo amante. Alcina trouxera a notícia. Todos ficaram mudos. O silêncio estava impregnado de satisfação e tristeza. Relembraram a postura e as palavras da mulher. Melhor assim, menos vítimas nas mãos dela.
Pensaram uma maneira de localizar as crianças, agora bem crescidos, se ainda vivos, mas não conseguiram encontrar meios para isso. Por outro lado, Sarah noticiou seu esposo que não poderia ter filhos. À princípio revoltou-se muito, enquanto ela desejava imensamente ter filhos, Cida abortava e vendia seus próprios filhos.
Levantou-se deixando o marido roncando e foi até a cozinha. Sentou-se junto à mesa e passou a contemplar um copo d´água, refletindo em sua impossibilidade de ser mãe. Seu pensamento era corroído pelas imagens e palavras de Cida, e nesses pensamentos procurava pensar em como cada um foi concebido, criado e vendido, como estariam, o que teriam vivido ou estariam vivendo nas mãos dessas pessoas.
Viu, então, novamente Dona Milta diante de si. Ela aparentava estar feliz. Olhou bem nos olhos de Sarah, sorriu e apontou para o alto, levando o indicador em direção ao lustre. Sua expressão transmitia uma vibração muito boa, de maneira que a moça deixou-se dominar pelo sono, sendo despertada pelo marido apenas na manhã seguinte. “Você dormiu aí ? Só você mesmo !”, comentou o marido sarreando.
Com olheiras, Sarah expôs a visão que teve. Discutiram as possibilidades. É provável que ela tenha indicado que iria para o Céu. Que teria terminado sua tarefa ou missão e iria embora.
- ...ou há algo nesse forro !, disse Sarah, levantando-se e explorando o teto.
Apesar da incredulidade de Alex, Sarah insistiu que ele subisse lá e olhasse.
Alex desceu do forro repleto de teias de aranha, sujo de fuligens e carregando uma caixa. Na caixa havia muitas jóias, dinheiro e escrituras de terrenos. Os dois ficaram boquiabertos. Realmente Dona Milta vendo os abusos da filha cuidou de esconder suas posses, talvez por isso a revolta da Cida. Havia ali um valor considerável. Por alguma razão, Dona Milta depositava nas mãos deles tudo o que preservara na vida toda. Também por isso se manteve ali protegendo seus recursos para o momento que julgasse adequado revelá-los.
Certamente quando não estava na casa estava junto da filha e dos netos...
Foi inevitável se abraçarem e chorarem. Com os olhos turvados de lágrimas puderam vislumbrar pela última vez Dona Milta saindo pela porta da sala e entrando por um corredor de pura luz.

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Dona Quitinha abraçou carinhosamente Alex e Sarah na inauguração da Casa da Criança “Milta Nadine”, um lugar que iria acolher crianças carentes e desamparadas.

CONTOS EMANADOS DE SITUAÇÕES COTIDIANAS

“Os contos e poemas contidos neste blog são obras de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações terá sido mera coincidência”

SABORES DO COMENDADOR

Ator Nacional: Carlos Vereza

Ator Internacional: Michael Carlisle Hall/ Jensen Ackles/ Eric Balfour

Atriz Nacional: Rosamaria Murtinho / Laura Cardoso/Zezé Mota

Atriz Internacional: Anjelica Huston

Cantor Nacional: Martinho da Vila/ Zeca Pagodinho

Cantora Nacional: Leci Brandão/ Maria Bethania/ Beth Carvalho/ Alcione/Dona Ivone Lara/Clementina de Jesus

Música: Samba de Roda

Livro: O Egípcio - Mika Waltaire

Autor: Carlos Castañeda

Filme: Besouro/Cafundó/ A Montanha dos Gorilas

Cor: Vinho e Ocre

Animal: Todos, mas especialmente gatos, jabotis e corujas.

Planta: aloé

Comida preferida: sashimi

Bebida: suco de graviola/cerveja

Mania: (várias) não passo embaixo de escada

O que aprecio nas pessoas: pontualidade, responsabilidade e organização

O que não gosto nas pessoas: pessoas indiscretas e que não cumprem seus compromissos.

Alimento que não gosta: coco, canjica, arroz doce, melão, melancia, jaca, caqui.

UM POUCO DO COMENDADOR.


Formado em Matemática e Pedagogica. Especialista em Supervisão Escolar. Especialista em Psicologia Multifocal. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa pela ABD e Instituto VAEBRASIL.

Comenda Rio de Janeiro pela Febacla. Comenda Rubem Braga pela Academia Marataizense de Letras (ES). Comenda Castro Alves (BA). Comendador pela ESCBRAS. Comenda Nelson Mandela pelo CONINTER e OFHM.

Cadeira 023, da Área de Letras, Membro Titular do Colegiado Acadêmico do Clube dos Escritores de Piracicaba, patronesse Juliana Dedini Ometto. Membro efetivo da Academia Virtual Brasileira de Letras. Membro da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias. Membro da Literarte - Associação Internacional de Escritores e Acadêmicos. Membro da União Brasileira de Escritores. Membro da Academia de Letras e Artes de Fortaleza (ALAF). Membro da Academia de Letras de Goiás Velho (ALG). Membro da Academia de Letras de Teófilo Ottoni (Minas Gerais). Membro da Academia de Letras de Cabo Frio (ARTPOP). Membro da Academia de Letras do Brasil - Seccional Suíça. Membro da Academia dos Cavaleiros de Cristóvão Colombo. Embaixador pela Académie Française des Arts Lettres et Culture. Membro da Academia de Letras e Artes Buziana. Cadeira de Grande Honra n. 15 - Patrono Pedro I pela Febacla. Membro da Academia de Ciências, Letras e Artes de Iguaba Grande (RJ). Cadeira n.º 2- ALB Araraquara.

Moção de Aplausos pela Câmara Municipal de Taquaritinga pelos serviços em prol da Educação. Moção de Aplausos pela Câmara Municipal de Bebedouro por serviços prestados à Educação Profissional no município. Homenagem pela APEOESP, pelos serviços prestados à Educação. Título de Cidadão Bebedourense. Personalidade 2010 (Top of Mind - O Jornal- Bebedouro). Personalidade Mais Influente e Educador 2011(Top of Mind - O Jornal- Bebedouro). Personalidade 2012 (ARTPOP). Medalha Lítero-Cultural Euclides da Cunha (ALB-Suíça). Embaixador da Paz pelo Instituto VAEBRASIL.

Atuou como Colunista do Diário de Taquaritinga e Jornal "Quatro Páginas" - Bebedouro/SP.
É Colunista do Portal Educação (http://www.portaleducacao.com.br

Premiações Literárias: 1º Classificado na IV Seletiva de Poesias, Contos e Crônicas de Barra Bonita – SP, agosto/2005, Clube Amigo das Letras – poema “A benção”, Menção Honrosa no XVI Concurso Nacional de Poesia “Acadêmico Mário Marinho” – Academia de Letras de Paranapuã, novembro/2005 – poema “Perfeita”, 2º colocado no Prêmio FEUC (Fundação Educacional Unificada Campograndense) de Literatura – dezembro/2005 – conto “A benção”, Menção Especial no Projeto Versos no Varal – Rio de Janeiro – abril/2006 – poema “Invernal”, 1º lugar no V Concurso de Poesias de Igaraçu do Tietê – maio/2006 – poema “Perfeita”, 3º Menção Honrosa no VIII Concurso Nacional de Poesias do Clube de Escritores de Piracicaba – setembro/2006 – poema “Perfeita”, 4º lugar no Concurso Literário de Bebedouro – dezembro/2006 –poema “Tropeiros”, Menção Honrosa no I concurso de Poesias sobre Cooperativismo – Bebedouro – outubro/2007, 1º lugar no VI Concurso de Poesias de Guaratinguetá – julho/2010 – poema “Promessa”, Prêmio Especial no XII Concurso Nacional de Poesias do Clube de Escritores de Piracicaba, outubro/2010, poema “Veludo”, Menção Honrosa no 2º Concurso Literário Internacional Planície Costeira – dezembro/2010, poema “Flor de Cera”, 1º lugar no IV Concurso de Poesias da Costa da Mata Atlântica – dezembro/2010 – poema “Flor de Cera”. Outorga do Colar de Mérito Literário Haldumont Nobre Ferraz, pelo trabalho Cultural e Literário. Prêmio Literário Cláudio de Souza - Literarte 2012 - Melhor Contista.Prêmio Luso-Brasileiro de Poesia 2012 (Literarte/Editora Mágico de Oz), Melhor Contista 2013 (Prêmio Luso Brasileiro de Contos - Literarte\Editora Mágico de Oz)

Antologias: Agreste Utopia – 2004; Vozes Escritas –Clube Amigos das Letras – 2005; Além das Letras – Clube Amigos das Letras – 2006; A Terra é Azul ! -Antologia Literária Internacional – Roberto de Castro Del`Secchi – 2008; Poetas de Todo Brasil – Volume I – Clube dos Escritores de Piracicaba – 2008; XIII Coletânea Komedi – 2009; Antologia Literária Cidade – Volume II – Abílio Pacheco&Deurilene Sousa -2009; XXI Antologia de Poetas e Escritores do Brasil – Reis de Souza- 2009; Guia de Autores Contemporâneos – Galeria Brasil – Celeiro de Escritores – 2009; Guia de Autores Contemporâneos – Galeria Brasil – Celeiro de Escritores – 2010; Prêmio Valdeck Almeida de Jesus – V Edição 2009, Giz Editorial; Antologia Poesia Contemporânea - 14 Poetas - Celeiro de Escritores, 2010; Contos de Outono - Edição 2011, Autores Contemporâneos, Câmara Brasileira de Jovens Escritores; Entrelinhas Literárias, Scortecci Editora, 2011; Antologia Literária Internacional - Del Secchi - Volume XXI; Cinco Passos Para Tornar-se um Escritor, Org. Izabelle Valladares, ARTPOP, 2011; Nordeste em Verso e Prosa, Org. Edson Marques Brandão, Palmeira dos Indios/Alagoas, 2011; Projeto Delicatta VI - Contos e Crônicas, Editora Delicatta, 2011; Portas para o Além - Coletânea de Contos de Terror -Literarte - 2012; Palavras, Versos, Textos e Contextos: elos de uma corrente que nos une! - Literarte - 2012; Galeria Brasil 2012 - Guia de Autores Contemporâneos, Celeiro de Escritores, Ed. Sucesso; Antologia de Contos e Crônicas - Fronteiras : realidade ou ficção ?, Celeiro de Escritores/Editora Sucesso, 2012; Nossa História, Nossos Autores, Scortecci Editora, 2012. Contos de Hoje, Literacidade, 2012. Antologia Brasileira Diamantes III, Berthier, 2012; Antologia Cidade 10, Literacidade, 2013. I Antologia da ALAB. Raízes: Laços entre Brasil e Angola. Antologia Asas da Liberdade. II Antologia da ACLAV, 2013, Literarte. Amor em Prosa e Versos, Celeiro de Escritores, 2013. Antologia Vingança, Literarte, 2013. Antologia Prêmio Luso Brasileiro - Melhores Contistas 2013. O tempo não apaga, Antologia de Poesia e Prosa - Escritores Contemporâneos - Celeiro de Escritores. Palavras Desavisadas de Tudo - Antologia Scortecci de Poesias, Contos e Crônicas 2013. O Conto Brasileiro Hoje - Volume XXIII, RG Editores. Antologia II - Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro. antologia Escritores Brasileiros, ZMF Editora. O Conto Brasileiro Hoje - Volume XXVI - RG Editores (2014). III Antologia Poética Fazendo Arte em Búzios, Editora Somar (2014). International Antology Crossing of Languages - We are Brazilians/ antologia Internacional Cruce de Idiomas - Nosotros Somos Brasileños - Or. Jô Mendonça Alcoforado - Intercâmbio Cultural (2014). 5ª Antologia Poética da ALAF (2014). Coletânea Letras Atuais, Editora Alternativa (2014). Antologia IV da Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro, Editora Iluminatta (2014). A Poesia Contemporânea no Brasil, da Academia Nacional de Letras do Portal do Poeta Brasileiro, Editora Iluminatta (2014). Enciclopédia de Artistas Contemporâneos Lusófonos - 8 séculos de Língua Portuguesa, Literarte (2014). Mr. Hyde - Homem Monstro - Org. Ademir Pascale , All Print Editora (2014)

Livros (Solos): “Análise Combinatória e Probabilidade”, Geraldo José Sant’Anna/Cláudio Delfini, Editora Érica, 1996, São Paulo, e “Encantamento”, Editora Costelas Felinas, 2010; "Anhelos de la Juvenitud", Geraldo José Sant´Anna/José Roberto Almeida, Editora Costelas Felinas, 2011; O Vôo da Cotovia, Celeiro de Escritores, 2011, Pai´é - Contos de Muito Antigamente, pela Celeiro de Escritores/Editora Sucesso, 2012, A Caminho do Umbigo, pela Ed. Costelas Felinas, 2013. Metodologia de Ensino e Monitoramento da Aprendizagem em Cursos Técnicos sob a Ótica Multifocal (Editora Scortecci). Tarrafa Pedagógica (Org.), Editora Celeiro de Escritores (2013). Jardim das Almas (romance). Floriza e a Bonequinha Dourada (Infantil) pela Literarte. Planejamento, Gestão e Legislação Escolar pela Editora Erica/Saraiva (2014).

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Metodologia e Avaliação da Aprendizagem

Pai´é - Contos de Muito Antigamente

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juntamente com o amigo Cláudio Delfini

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Divine Acadèmie Française

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Prêmio Luso Brasileiro de Poesia 2012/2013

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Literarte/Mágico de Oz (Portugal)

Lançamento da Antologia Vozes Escritas

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Noite de autógrafos em Barra Bonita-SP

Antologia Literária Cidade - Volume II

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Poemas : Ciclone e Ébano

Antologia Eldorado

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Antologia II

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Antologia Cidade 10

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Org. Abílio Pacheco

Antologia da ALAB

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